sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O que aconteceu com a indústria automotiva?

16/09/2016  - Valor Econômico

Vicente Assis, B. Hagemann e Bernardo Ferreira

A indústria automobilística brasileira sempre foi um grande trunfo da economia nacional. Tanto a venda de automóveis leves como a de caminhões foram a quarta maior do mundo em 2013. Mas esse cenário já faz parte do passado. Comparando as vendas de 2013 com a expectativa de vendas para 2016, deve ocorrer uma queda de 45% em automóveis leves e de 67% em caminhões. O que parecia ser uma história de sucesso vive, hoje, um período de derrocada.

A economia foi um fator importante para a crise atual, uma vez que o PIB deve encolher mais de 3% pelo segundo ano consecutivo. O volume de financiamento de veículos vem se contraindo, enquanto o custo do financiamento aumentou em linha com a taxa básica de juros, que subiu de 8 a 10% em 2013 para mais de 14% em 2016. Além disso, a taxa de desemprego disparou de 7% para mais de 11% nesse mesmo período.

Após o mercado automotivo crescer ininterruptamente nas décadas de 1960 e 1970, a primeira crise ocorreu em 1982 e 1983, quando caiu 46% do seu pico e ficou estagnado por 10 anos. A segunda crise foi entre 2000 e 2001, com uma queda de 35% do mercado e subsequente estagnação de 3 anos. Após um novo período de 10 anos de crescimento, estamos na terceira crise, que já dura 4 anos e cuja retração esperada é de 45%. Apesar de uma provável melhora nos próximos dois anos, a indústria precisará de uma nova década de crescimento da economia para voltar aos patamares de vendas que vimos em 2013.

Soma-se a isso a atração de investimentos com base em premissas que não se concretizaram nos últimos anos: expectativa de que a economia era sólida, que o mercado local iria crescer indefinidamente e que o país comportaria uma indústria de 5 milhões de carros por ano. Com incentivos governamentais, a consequência foi a intensa instalação de fábricas de automóveis no Brasil nos últimos anos: saltou de 53 em 2011, para 65 em 2015.

A capacidade instalada é tão superior à demanda (a utilização da capacidade em 2016 será abaixo de 50%) que seria necessário um inimaginável crescimento do mercado de 10% ao ano nos próximos cinco anos a fim de voltarmos a utilizar 80% da capacidade total.

A maneira como o mercado automotivo cresceu no Brasil criou distorções que hoje atrapalham a recuperação. O foco excessivo em venda de carros de entrada, com menos tecnologia, para o mercado interno mascarou deficiências que a indústria automobilística acumulou durante as últimas décadas. Essas deficiências apareceram com força agora, quando o país passa por uma das piores crises de sua história: a produção de automóveis no Brasil não é competitiva no contexto internacional.

As montadoras, por exemplo, preferem exportar carros para os outros países da América do Sul a partir de outras regiões produtoras, como Ásia, México ou até mesmo da Europa. O Peru, nosso vizinho, importou 70% da Ásia e apenas 2% do Brasil em 2014.

A razão mais importante para a falta de exportação do Brasil é o custo elevado de se produzir um carro no país. O custo de produção do mesmo carro é 7 a 10% maior no Brasil do que nos Estados Unidos - que é mais caro que na Ásia. Para reverter este cenário, precisamos significativamente reduzir os custos dos veículos produzidos no Brasil.

No Brasil ainda não há a cultura de formação de polos industriais de excelência. A indústria fornecedora de autopeças local está focada principalmente em produtos com baixo valor agregado: vivem apertados entre os preços de matérias-primas, produtividade baixa e custos cada vez maiores. Como consequência, a saúde deste setor é baixa, tornando-se um problema para a indústria inteira: a crise aguda força diversos fornecedores a fecharem suas portas, deixando seus clientes sem uma fonte local de fornecimento.

Apenas algumas montadoras entenderam esse problema e construíram uma base de fornecedores saudável que suporta preços baixos através de custos baixos - outras montadoras trabalharam focadas apenas no curto prazo por meio de pressão constante para preços baixos até o ponto em que os fornecedores não têm mais capacidade de continuar seus negócios.

Precisamos, também, urgentemente aumentar a produtividade da indústria automobilística brasileira, uma das mais baixas em nível mundial. Um operário no Brasil produz em média 33 veículos por ano, enquanto os chineses produzem 54 e os americanos atingem 55 carros. Para termos ideia da defasagem da produtividade nacional, nos últimos 20 anos a China, em todas as indústrias, aumentou sua produtividade em mais de 8% ao ano, enquanto o Brasil melhorou míseros 1,2%.

O aumento da produtividade é a chave para aumentar a competitividade nacional e internacional. Falta ainda um sistema de educação eficiente, dedicado à profissionalização de cargos técnicos. Muitas empresas até criaram suas próprias soluções, mas isso só funciona para as grandes companhias.

Outro entrave é a alta taxa de imposto no valor final do veículo: 30% dos preços de venda do carro estão direta ou indiretamente atrelados aos impostos. Nos Estados Unidos, o peso do imposto no valor final do carro corresponde a 6% e na Alemanha, a 19%.

Players da indústria automotiva nacional e governo precisam aceitar que os tempos mudaram e, em comparação com o passado, o mercado não irá retornar para alto índice de utilização nos próximos anos. Se a indústria não repensar completamente seu modelo de negócio no país, o Brasil seguirá com grandes dificuldades em transformar esse setor em plataforma de exportação e estimular a demanda doméstica.

Hoje o setor automotivo é responsável por 5% do PIB nacional, sendo sem dúvida a mais importante indústria de alto valor agregado. Pode ser tarde demais para criar fortes montadoras brasileiras, mas definitivamente não é tarde demais para posicionar o Brasil novamente como um dos centros principais da indústria automotiva global.

Vicente Assis é presidente da McKinsey no Brasil.

Bjorn Hagemann é sócio da McKinsey.

Bernardo Ferreira é expert de indústrias avançadas da McKinsey.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Rio terá pelo menos 100 carros elétricos para aluguel; licitação sai amanhã


29/04/2016  - O Globo

A Prefeitura do Rio publicou hoje, no Diário Oficial, o aviso de licitação do sistema de aluguel de carros elétricos. Amanhã, sai o edital. 

Funcionará assim: a empresa que ganhar a licitação terá de colocar à disposição no mínimo 100 carros para serem alugados, que poderão ser carregados em 50 estações, no Centro e na Zona Sul, em locais como a Praça Mauá, o campus da UFRJ na Praia Vermelha e a Av. Bartolomeu Mitre, em Ipanema.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Fleety lança serviço de carros elétricos conectados em Curitiba

15/04/2016 - Brasil Fashion News

O Fleety, primeira plataforma de compartilhamento de carros entre pessoas da América Latina, lançou o serviço Fleety Garage. O anúncio foi feito na última semana em Curitiba. O projeto amplia a discussão sobre mobilidade urbana e possibilita que pessoas aluguem veículos elétricos conectados por R$15,00 a hora e R$120,00 a diária.

Os veículos ficam em estacionamentos conveniados localizados em pontos estratégicos da cidade. Os carros disponibilizados pela plataforma são o E6 BYD e têm até 400Km de autonomia por recarga. A gestão dos pedidos de reserva no site também é feita inteiramente pela equipe do Fleety, assim como o procedimento de entrega e recebimento do veículo.

Em parceria com a fluminense Dirija Já, o Fleety abre as portas para o mercado B2C pela primeira vez. “Ao nos aprofundarmos no assunto de mobilidade, percebemos que existem muito mais alternativas para o transporte do que imaginávamos. O trabalho com os carros elétricos vem neste sentido, de ampliar o debate sobre o tema”, aponta André Marim, CEO do Fleety.

Para o desenvolvimento do projeto a Dirija já se uniu à chinesa BYD, maior montadora de veículos elétricos do mundo. “Estes parceiros foram fundamentais no processo de implantação do Fleety Garage. Assim como o IBQP em Curitiba, que nos apoia em todas as nossas tomadas de decisão e reforça seu posicionamento em defesa da inovação”, declara Marim.

O pagamento, assim como na modalidade B2B, é realizado por cartão de crédito e evita, dessa forma, a inadimplência. A empresa cobra uma taxa de até 16% sobre o valor das transações, que incluem assistência 24 horas e seguro sobre roubo, morte, invalidez e colisões.

O Fleety desenvolveu uma série de mecanismos para garantir a segurança e confiabilidade no aluguel de veículos. Para alugar um automóvel no Fleety, é preciso preencher no seu cadastro o número da CNH. Antes de liberar o cadastro, o Fleety verifica as informações com o Detran, para ter certeza de que a permissão para dirigir está válida e que a pessoa está apta a participar da rede.

Após a utilização dos serviços do Fleety, o motorista é convidado a avaliar o sua experiência com o veículo e as informações geram um ranking no próprio site. Dessa forma, é possível que outros motoristas consigam ter mais informações para próximas transações. Para saber mais sobre a plataforma, acesse: www.fleety.com.br.

Sobre o Fleety – O Fleety é a primeira empresa de compartilhamentos de veículos entre pessoas da América Latina. O projeto está em curso desde setembro de 2014 em Curitiba. Em fevereiro de 2015, os serviços chegaram a São Paulo e a startup foi uma das quatro empresas escolhidas para o segundo ciclo de aceleração da Abril Plug and Play, aceleradora de startups criada pelo Grupo Abril em parceria com a norte-americana Plug and Play Tech Center. Os serviços do Fleety chegaram a Santa Catarina em novembro de 2015 e em abril de 2016 no Rio de Janeiro. 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Produção de motos cai 37% no trimestre e Abraciclo agora estima um 2016 negativo


08/04/2016  - Valor Econômico

Eduardo Laguna / São Paulo

Representante da indústria de motocicletas, a Abraciclo, após um primeiro trimestre frustrante, revisou ontem suas estimativas ao desempenho do setor no ano. Agora, prevê vendas de pouco mais de 1 milhão de unidades, o que, além de ser o menor volume desde 2005, significa perder metade do volume entregue por essa indústria cinco anos atrás.

Do pico de 2 milhões de motos de 2011, as vendas no atacado - ou seja das montadoras para as concessionárias - caíram de forma ininterrupta nos quatro anos seguintes por conta, principalmente, da restrição de crédito, agravada agora pela recessão e falta de confiança dos consumidores.

Após iniciar o ano com a expectativa de crescimento de 2,5% nos dois indicadores, a associação das montadoras de motos passou a prever queda de 9,7% da produção, ao passo que para as vendas no atacado a projeção passou a ser de recuo de 10,1%. "Assim como outros setores da economia, que registram resultados negativos no período, o segmento de motocicletas também se enquadra no contexto atual da crise político-econômica", disse Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo. A exemplo de outros empresários, ele cobrou uma resolução do caos que tomou conta da política brasileira.

A entidade refez suas contas após os primeiros resultados do ano mostrarem números negativos de difícil reversão. Só no mês passado, a produção de motos no país caiu 36,8% frente ao mesmo período de 2015. No total, 80,4 mil motocicletas foram montadas em março, o que fez o setor terminar o primeiro trimestre com 227,4 mil unidades fabricadas, 36,9% abaixo do volume de um ano antes.

As vendas para as concessionárias recuaram 36,2% em março, na comparação anual, totalizando 83,5 mil unidades. Em relação a fevereiro, houve alta de 14,3%, num crescimento influenciado, porém, pelo calendário com mais dias úteis de março. Assim, de janeiro a março, as vendas encolheram 37,4%, para 215,4 mil unidades.

O desempenho das exportações, por outro lado, segue em alta, mais do que dobrando - com crescimento de 116,5% - o resultado do primeiro trimestre do ano passado. No total, 13,7 mil motos foram embarcadas de janeiro a março. Fermanian ponderou, porém, que o crescimento das exportações se dá sobre uma base de comparação fraca, já que os resultados do início de 2015 foram significativamente afetados por restrições à liberação de dólares para importadores na Argentina, principal mercado no exterior.

terça-feira, 1 de março de 2016

Carro autônomo do Google bate em outro veículo pela 1ª vez

01/03/2016  - O Estado de SP

Um carro autônomo do Google colidiu sem gravidade contra um ônibus municipal na cidade de Mountain View, no Estado norte-americano da Califórnia, nesta segunda-feira, 29. Apesar de já ter se envolvido em outros acidentes anteriormente, esta é a primeira vez que o carro sem motorista da empresa atinge outro veículo em via pública – nos incidentes anteriores, o veículo do Google foi atingido por motoristas humanos. O Google ainda assumiu que tem “responsabilidade” com o acidente, que aconteceu com um Lexus RX450h.

Em um relatório divulgado em 23 de fevereiro, apresentado à agência de regulação de trânsito da Califórnia, o Google disse que o acidente, que ocorreu em 14 de fevereiro, aconteceu quando um veículo autônomo tentou contornar alguns sacos de areia em uma pista larga. O veículo e o motorista de testes “acreditaram que o ônibus reduziria a velocidade ou permitiria que o (veículo do) Google continuasse”.

Três segundos depois, o carro do Google entrou novamente no centro da faixa e atingiu a lateral do ônibus, causando danos ao para-lama frontal esquerdo, a roda da frente e em um sensor de direção lateral. Ninguém se feriu. De acordo com o relatório, o carro do Google se movia a cerca de 5 km/h, enquanto o ônibus estava a pelo menos 25 km/h.

O Google disse por meio de um comunicado que “claramente tem alguma responsabilidade, porque se o nosso carro não tivesse se movido, não teria acontecido uma colisão.” A empresa disse ainda que incidentes como esse – e variações – acontecem muitas vezes em seu simulador.

“A partir de agora, nossos carros vão entender melhor que ônibus e outros veículos de grande porte têm menor probabilidade de lhes dar passagem”, explicou o Google. “A expectativa é de que possamos lidar com incidentes como esse de forma mais proveitosa no futuro”. Segundo a polícia de Mountain View, nenhum boletim de ocorrência foi feito sobre o acidente.

Em novembro, o Google informou que ,em seis anos de testes com os carros autônomos, aconteceram 17 acidentes leves ao longo dos mais de 3,4 milhões de km percorridos pelos veículos. O mais grave deles aconteceu em julho do ano passado, quando um carro bateu na traseira do veículo do Google a 27 km/h, deixando três pessoas com dores na cabeça e no pescoço. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Robô pode ser considerado motorista, decide órgão regulador dos EUA

11/02/2016 - Folha de SP - Financial Times / Estadão - Reuters

Robô pode ser considerado motorista, decide órgão regulador dos EUA

Uma barreira significativa ao plano do Google de colocar nas ruas carros autoguiados foi removida, após a autoridade de transporte nos Estados Unidos determinar que um robô pode atender à definição legal de "motorista".

Em carta a Chris Urmson, diretor do projeto do carro autoguiado no Google, a Administração Nacional da Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) americana anunciou que concordava com a interpretação proposta pela empresa para o código federal de segurança de veículos motorizados, exigido para o uso nas vias públicas dos EUA.

O Google alega que os carros serão mais seguros quando os seres humanos não tiverem capacidade de intervir em sua condução de maneira alguma, e os veículos dependerem exclusivamente de um sistema de inteligência artificial que tomará decisões com base num conjunto de sensores, mapas e câmeras.

Essa abordagem é mais extrema que a de muitas montadoras, que defendem uma mudança mais gradual para a condução autônoma, o que por muitos anos ainda requereria controle dos veículos por um motorista humano.

"A NHTSA interpretará 'motorista' no contexto do projeto de veículo motorizado descrito pelo Google, como referência ao sistema de autocondução, e não a qualquer dos ocupantes do veículo", diz a agência. O órgão concorda que o carro autoguiado do Google "não contará com um 'motorista' tradicional", como tem ocorrido nos últimos cem anos".

O Estado de SP - Reuters

Carros autônomos serão tratados como motoristas nos EUA

De acordo com carta enviada ao Google, a agência de transportes dos EUA irá classificar o sistema que guia carros sem condutores como sendo um motorista

O carro autônomo do Google está cada vez mais perto de se ganhar as estradas dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, 10, a Administração Nacional para a Segurança do Tráfego Rodoviário (NHTSA, na sigla em inglês), informou por meio de carta que o sistema que guia os carros sem condutores poderá ser tratado como um motorista.

Segundo reportagem publicada pela Reuters, a mudança no código de trânsito do país deve ocorrer após um pedido feito pelo Google em 2015. Na requisição, a empresa pediu para que a NHTSA passasse a considerar carros autônomos como qualquer outro automóvel em circulação, tentando incentivar a popularização dos carros sem motoristas nas ruas do país.

"Vamos considerar que os ocupantes do carro não são os motoristas. Se nenhum humano ocupante do veículo pode dirigir o carro, é razoável identificar o motorista como sendo qualquer coisa que esteja dirigindo. ”, escreveu o chefe do conselho da NHTSA, Paul Hemmersbaugh, por meio do comunicado. "Concordamos  que não haverá um condutor no sentido tradicional que os carros tiveram durante os últimos 100 anos”.

Atualmente, o código de trânsito dos EUA diz que o motorista é quem ocupa o sistema de controle de um automóvel.

Apesar da resposta, a alteração nas regras deverá levar algum tempo, de acordo com Hemmersbaugh. ”A próxima questão é se o Google poderá se certificar que o sistema de auto-condução atende um padrão desenvolvido e projetado para aplicar a um veículo com um motorista humano”, disse NHTSA.

A agência também afirmou que a empresa deve reconsiderar a ideia de remover componentes destinado a motoristas, como pedais de aceleração e freio. Recentemente, já era esperada uma flexibilização nas regras de segurança para carros autônomos.

A decisão é uma boa notícia não só para o Google, mas também para a maior parte das montadoras de carros e das empresas de tecnologia, que têm entrado em uma corrida para desenvolver e vender carros que possam ser considerados autônomos.

Hoje, a maior parte dessas empresas têm feito críticas às atuais legislações federal e estaduais nos EUA, dizendo que regras de segurança impedem testes e o desenvolvimento desses sistemas. Na Califórnia, por exemplo, onde ficam as principais empresas de tecnologia, anteprojetos sobre o tema pediam que os carros autônomos tivessem volante e um motorista habilitado a bordo em todas as viagens.

Para Karl Brauer, analista da companhia de pesquisas automotivas Kelley Blue Book, ainda há questões legais significativas em torno dos carros autônomos. "Se a NHTSA está preparada para dizer que a inteligência artificial é uma alternativa viável aos motoristas humanos, isso pode acelerar o processo de ter veículos autônomos nas ruas”, disse.

Em sua resposta ao Google, a agência federal exibiu um mapa dos obstáculos legais ainda existentes para colocar os carros autônomos nas estradas. Segundo os reguladores, ainda há regras a respeito de segurança que não podem ser alteradas imediatamente, como requisitos para sistemas de freio que possam ser ativados pelos pés dos ocupantes do carro.

"A grande questão, agora, é como e quando o Google poderá mostrar que o sistema autônomo tem um padrão de desenvolvimento para se aplicar a um veículo acostumado a ter um motorista humano”, disse a NHTSA. Procurado pela Reuters, o Google disse que ainda está avaliando a resposta da NHTSA.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Frota de motos da Ilha já chega a 53% do total de automóveis

  21/01/2016 - O Estado

Outro dado chama atenção: o número de condutores habilitados para conduzir motocicletas é menor do que o total de veículos do tipo na região metropolitana
  
A frota de motocicletas da Região Metropolita­na de São Luís já representa 53% da quantida­de de automóveis que cir­culam pelas ruas e avenidas da capital, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran). Em apenas quatro anos, de 2012 a 2015, o número de motocicletas passou de 67 mil para mais de 113 mil. No entanto, outro dado cha­ma atenção: o número de condutores habilitados para conduzir motocicletas é menor do que o total de veículos do tipo transitando pelas vias da Ilha.

A cada ano, o número de veículos sobre duas rodas avança pelas ruas e avenidas da Ilha de São Luís. A quantidade de motos nas quatro cidades corresponde a 26,99% da frota total e é mais da metade da quantidade de automóveis, uma diferença de pou­co mais de 100 mil veículos. Co­mo cresceu principalmente nos últimos anos, a frota é relativamente nova.

Em Raposa, o número de motocicletas já superou o de automóveis e representa a metade da frota de veículos do município. Nos demais, o total de carros ainda é superior, mas em São José de Ribamar a diferença é pequena: são apenas 261 carros a mais que motocicletas. São Luís é o município da região metropolitana com a maior diferença entre as duas frotas. O total de motocicletas circulando pelas vias da capital representa 48% do número de carros com que dividem o trânsito.

Sem CNH
Para conduzir motocicletas, é preciso ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A, só que nem todo mundo que dirige motocicletas na região metropolitana respeita a legislação de trânsito. Enquanto a frota de motocicletas é de mais de 113 mil, o total de condutores habilitados para esse tipo de veículo é pouco mais de 104 mil. São 8.833 motocicletas a mais.

Paço do Lumiar é o único dos quatro municípios da Ilha em que o número de condutores habilitados corresponde ao número de motocicletas. Raposa é o que tem a menor diferença entre o total de veículos e de condutores habilitados, 683. A capital aparece mais uma vez como a cidade com a maior discrepância: são 5.814 habilitações a menos que o número de veículos.

Desrespeito à lei
O artigo 57 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) diz que as motocicletas devem ser conduzidas sempre pela faixa da direita, sendo proibida sua circulação nas faixas de trânsito rápido ou então sobre as calçadas das vias urbanas. Mas vemos, no dia a dia da Região Metropolitana de São Luís, que os pilotos não respeitam muito essa norma. É comum, por exemplo, ver motociclistas cortando caminho por cima de calçadas, cruzando canteiros centrais, atravessando o sinal vermelho e ocu­parem a faixa de trânsito rápido. Sem falar que muitos an­dam bem acima do nível de velocidade permitido para a via.

E os atos de imprudência resultam no grande número de acidentes envolvendo motociclistas. Os acidentes já são a principal causa de ocorrências de trânsito no país, ultrapassando os atrope­lamentos de pedestres. Em 2015, mais da metade das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) corresponde a motociclistas, que respondem por três quar­tos das indenizações do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT).

Segundo dados do 50º Encontro Nacional de Departamentos Estaduais de Trânsito da Associação Nacional dos Detrans (AND), realizado em Brasília, em setembro de 2015 a motocicleta concentrou 76% das indenizações pagas pelo seguro DPVAT. A maior parte delas (82%) correspondeu a Invalidez Permanente e 4% a Morte. As indenizações pagas por Morte e Invalidez Permanente em acidentes com motocicletas chegaram a mais de 225 mil no Brasil. Os passageiros, depois dos motociclistas, representaram o segundo maior número de vítimas, com 36.376 indenizações pagas por morte e invalidez permanente.

SAIBA MAIS

Em setembro de 2015, Carlos Felipe Correia, chefe do núcleo de motociclismo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que o Maranhão representa 10% do total de acidentes que acontecem diariamente em rodovias brasileiras, o que torna o estado campeão em número de acidentes de motocicleta no Brasil.

Números

São Luís
364.299 mil veículos
190.578 mil automóveis
91.857 mil motocicletas

São José de Ribamar
30.272 mil veículos
12.173 mil automóveis
11.912 mil motocicletas

Paço do Lumiar
21.274 mil veículos
9.682 mil automóveis
7.541 mil motocicletas

Raposa
4.037 mil veículos
1.054 mil automóveis
2.021 mil motocicletas

http://imirante.com/oestadoma/noticias/2016/01/21/frota-de-motos-da-ilha-ja-chega-a-53-do-total-de-automoveis.shtml