quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Toyota anuncia produção de carro movido a hidrogênio

29/08/2013 - Folha de SP

Diego Ortiz - Enviado Especial a Detroit (Eua)*

O presidente da Toyota, Takeshi Uchiyamada, confirmou a produção de um novo sedã movido a hidrogênio.

O carro entrará em linha no fim de 2014. O anúncio foi feito no evento Hybrid World Tour, promovido pela montadora japonesa em Detroit, no estado de Michigan.

De acordo com a marca, será o primeiro modelo com essa tecnologia produzido em larga escala. O desenho terá por base o conceito FCV-R, que foi apresentado em 2011.

A tecnologia utiliza um sistema que gera eletricidade por meio de reações eletroquímicas entre o hidrogênio – que é armazenado em um tanque especial no carro – e o oxigênio do ar. A energia resultante põe o veículo em movimento, e o escapamento emite apenas vapor d'água.

John Hanson, diretor de tecnologias avançadas da Toyota nos EUA, afirmou que a marca conseguiu reduzir em cerca de 70% os custos de produção de um veículo dotado de célula de combustível. "Isso tornou possível a produção em série. Fomos os primeiros com o híbrido [o Toyota Prius foi lançado em 1997] e seremos os primeiros com o hidrogênio."

O modelo será produzido no Japão e lançado primeiramente na Califórnia. Ainda não há previsão de venda no Brasil.

*O jornalista viajou a convite da Toyota

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Brasil se consolida como quarto mercado de carros

28/08/2013 - Valor Econômico

Favorecido pela combinação de crise na Europa e recorde nas vendas domésticas, o Brasil está se consolidando neste ano como o quarto maior mercado automotivo do mundo, distanciando-se da Alemanha e encurtando a distância, ainda considerável, em relação ao Japão, terceiro colocado, mas onde as vendas estão em queda devido à retirada de estímulos dados para a compra de carros após o tsunami que atingiu o país em março de 2011.

A Alemanha, que há três anos perdeu a quarta colocação para o Brasil, ficou ainda mais para trás na corrida dos maiores mercados globais após registrar queda de 6,8% nas vendas de veículos nos sete primeiros meses deste ano. A diferença da demanda brasileira - que subiu quase 3% nesse período - em relação à alemã já passa de 215 mil veículos, incluindo caminhões e ônibus.


Outros mercados que poderiam ameaçar a posição do Brasil, como a Rússia e a Índia - onde as vendas de carros cedem, respectivamente, 6,2% e 9,5% -, também estão em queda, o que torna ainda mais confortável a situação brasileira nesse ranking.

A ascensão do Brasil entre os grandes mercados automotivos do mundo é um fenômeno relativamente recente, sendo resultado dos sucessivos recordes no consumo de veículos nos últimos dez anos. Até 2006, o país não passava do nono maior mercado mundial, com vendas de carros que somavam apenas metade dos volumes atuais. Desde então, o consumo evoluiu a um ritmo médio anual superior a 11%, refletindo, principalmente, a maior disponibilidade de crédito, a expansão da renda e os incentivos fiscais concedidos pelo governo nos momentos de crise.

Montadoras que já estavam posicionadas aqui com produção local puderam aproveitar bem esse movimento para amenizar as turbulências vividas por suas matrizes nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo após a crise financeira de 2008. O Brasil passou a ser o terceiro maior mercado do mundo para grupos como Volkswagen, General Motors (GM), Ford e Renault, ou o segundo maior para a Fiat, quando se inclui as vendas da Chrysler.

Estudos publicados por consultorias, o que inclui uma pesquisa da KPMG com executivos das maiores empresas automobilísticas do mundo, chegaram a projetar o Brasil como o terceiro maior mercado global, superando o Japão até 2016.

O protagonismo internacional do consumo de carros no Brasil, contudo, não se repete quando se olha para a atividade das montadoras. Embora tenha o quarto maior mercado, o Brasil é apenas o sétimo maior produtor de veículos do mundo - com, segundo números do ano passado, 1,2 milhão de unidades a menos do que a Coreia, que nem chega a estar entre os dez maiores mercados mundiais.

Ainda que esteja mais próximo no consumo de carros, o Brasil não chega a ter metade da produção japonesa. Em 2012, o Japão fabricou quase 10 milhões de veículos, enquanto o volume do Brasil foi de 3,4 milhões de unidades, segundo dados compilados em anuário da Anfavea, a entidade que representa a indústria automotiva brasileira. Na comparação com a Alemanha, a produção brasileira é inferior em mais de 2 milhões de unidades.

A diferença para esses países é que o Brasil ainda não tem uma indústria exportadora, assim como não desenvolveu marcas genuinamente nacionais com projeção para o exterior. O Japão, por exemplo, exportou, em 2012, 4,8 milhões de veículos - quase onze vezes acima dos embarques brasileiros - e suas montadoras têm 168 fábricas espalhadas por todo o mundo.

No Brasil, sem competitividade para atingir mercados mais desenvolvidos, as exportações ficam demasiadamente concentradas em países da América do Sul. "Temos uma capacidade de produção que é o desejo de grandes países industrializados, mas precisamos recuperar nossa capacidade de competir", afirma Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford no Brasil.

No momento, a Anfavea trabalha em um conjunto de propostas a ser apresentado ao governo para incentivar as vendas externas. O texto deve incluir medidas como a desoneração das exportações. A meta traçada pela entidade é elevar para 1 milhão de veículos - o dobro do volume atual - as exportações de veículos produzidos no Brasil, recuperando o superávit comercial no setor.

As montadoras avaliam que a retomada das exportações será fundamental para evitar uma ociosidade na indústria, já que os investimentos em curso devem elevar a capacidade produtiva anual da indústria automobilística brasileira em mais de 1 milhão de veículos até 2017. Com as restrições a produtos importados do novo regime automotivo, a produção local se tornou o único caminho para se ter alta escala de vendas no Brasil. Por isso, uma série de montadoras tem anunciado projetos para instalar fábricas no país.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Com 30 mil novos carros por mês, Curitiba dobra frota em dez anos

22/08/2013 - Portal 2014

Capital paranaense tem hoje 1,65 milhão de veículos e deve atingir 2,85 milhões em 2040

Presidente do Sinaenco, João Alberto Viol, abre o evento em Curitiba (crédito: Joka Madruga)

Diego Salgado - Curitiba 

A frota de veículos de Curitiba dobrou nos últimos dez anos e chegou à marca de 1,65 milhão de unidades. Em 25 anos, o número pode atingir 2,85 milhões. Nesse cenário, a cidade terá quase um carro para cada habitante. Hoje, a proporção é de 0,57.

A estimativa é que 3,39 milhões de pessoas morem na capital paranaense em 2040. Dessa forma, a taxa será de 0,84 veículo por cada habitante. O levantamento foi divulgado hoje (22), durante o evento "De olho no futuro: Como estará Curitiba daqui a 25 anos", promovido pelo Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) em 13 capitais do país.

O encontro contou com a presença do presidente do Insitituto de Pesquisa e Planajemanto Urbano de Curitiba (IPPUC), Sérgio Pires, do assessor de Ratinho Jr., secretário do Desenvolvimento Urbano do Paraná, Álvaro Cabrini, do presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR), Jeferson Navolar, e do presidente do Sinaenco, João Alberto Viol, entre outros.

Durante o debate, foram abordadas questões atuais, como o esgotamento do Bus Rapid Transit (BRT) e o planejamento da cidade. As questões estariam diretamente ligadas à situação atual do trânsito. 

"É preciso debater o aumento da capacidade e da velocidade dos BRTs", disse Pires. Hoje, o sistema, que foi implantado de maneira pioneira no Brasil em 1974, comporta 20 mil passageiros por hora. De acordo com o presidente do IPPUC, a implantação de um metrô na cidade, idealizado desde a década de 1970, seria uma das saídas para frear o aumento da frota. 

A integração das cidades da Grande Curitiba tambpem foi apontada como uma possível solução. Para Navolar, o cenário é viável daqui a 25 anos. Já Cabrini ressalta a importância do planejamento. "Temos que convidar todos os planejadores, todas as pessoas para refletir sobre o assunto", disse. 

A ideia de criar empregos próximos às áreas residenciais também foi levantada. "A mobilidade é um dos principais desafios para o futuro. É possível resolver o problema dos deslocamento evitando o próprio deslocamento", disse Pires.