segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Compartilhamento de carros elétricos chega ao Brasil

28/12/2014 - A Tribuna - MT

Depois de compartilhar bicicletas, cidades brasileiras dão os primeiros passos para fazer o mesmo com os carros. Semana passada começou a funcionar, no Recife, o primeiro sistema de compartilhamento de veículos elétricos do país (car sharing). O modelo, implantado nos Estados Unidos e na Europa, permite ao usuário pegar o carro em vagas ou garagens espalhadas pela cidade e devolvê-lo, depois, em um período determinado. Em 2015, o modelo deve estar em funcionamento também no Rio de Janeiro, que lançou este mês chamada pública sobre a viabilidade do projeto. Uma empresa em São Paulo oferece o serviço desde 2010, mas tem somente carros movidos à combustível.

A escolha pelo compartilhamento de carros elétricos no Recife, segundo a gerente do projeto do Porto Digital, Cidinha Gouveia, busca melhorar a mobilidade no centro. "O trânsito aqui está ficando pior que em outras capitais [mais populosas] como São Paulo, segundo estatísticas recentes. Nos horários de pico, é impossível se deslocar de um ponto a outro e as pessoas podem esperar até 40 minutos por uma vaga", informou. Com o novo sistema, que tem vagas fixas em três estações, quem precisa de um carro para curtas distâncias pode fugir dos problemas.

Ainda pouco conhecido no país, o compartilhamento tem um grande potencial, avalia o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Leonardo Meira. Ele explica que o modelo surgiu na Europa na década de 1980 e é complementar ao transporte público, incluindo as bicicletas. Além de reduzir a poluição e o trânsito nas cidades, Meira destaca que incentiva a racionalização do uso do carro. "Pesquisas mostram que o compartilhamento tira das ruas até sete carros particulares, na Alemanha e na Suíça, onde é muito forte."

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Depois das ‘bikes’, Recife ganha aluguel expresso de carros elétricos

16/12/2014 - O Globo


O Recife acaba de se tornar a primeira capital do país a contar com sistema de compartilhamento de carros elétricos, num modelo similar ao do aluguel de bicicletas que se espalhou por 14 cidades brasileiras. O projeto piloto foi lançado ontem, com três unidades, e deve operar para o público já no início de 2015.

Fabricados na China, os carrinhos são da montadora ZhiDou (ZD) e têm autonomia para rodar por 120 quilômetros após uma carga de seis horas em eletricidade. O sistema vinha sendo desenvolvido havia cinco anos e enfrentou problemas burocráticos, como a dificuldade de emplacamento, uma vez que, pela lei, carro elétrico é quadriciclo.

TRÊS ESTAÇÕES NA CIDADE

Depois de um acordo com o Detran, o veículo recebeu uma matrícula especial de cor verde e pode ser multado, caso o usuário cometa alguma infração. Mas não pode deixar o Estado de Pernambuco.
As estações foram instaladas no bairro do Derby e em duas áreas do Centro: em frente à prefeitura e próximo à Casa da Cultura. Por enquanto, há 20 usuários cadastrados, que serão encarregados de avaliar o sistema. Para utilizar os veículos, pagamse taxas de R$ 30, na inscrição, e R$ 20, na reserva. Se houver caronas, a taxa cai para R$ 10 por pessoa. Como no sistema de bicicletas Bike Rio e Bike Pernambuco, entre outros, a retirada é feita por um aplicativo instalado no smartphone, que mostra as estações e os carros disponíveis. O tempo permitido para a utilização do carro é de meia hora. Em caso de extrapolamento, o usuário vai pagar R$ 0,75 por minuto adicional.

O usuário precisa ter mais de 18 anos, habilitação e cartão de crédito. Após a inscrição, pelo celular, é preciso apresentar documentos no bairro do Recife Antigo, na sede da Porto Digital, incubadora de iniciativas na área de tecnologia da informação que desenvolveu o projeto em parceria com a empresa Serttel, a mesma dos aluguéis de bicicletas.

— Esperamos que, com a consolidação desse projeto, o poder público reconheça o seu valor e sua importância e promova a sua expansão, como ocorreu com o aluguel de bicicletas — afirmou Francisco Saboia, presidente da Porto Digital.

O projeto custou R$ 500 mil e contou com recursos do Ministério de Ciência e Tecnologia, da Serttel e da Porto Digital, além de apoio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco.

Em 10 anos, uso de carros aumenta e o de ônibus cai

16/12/2014 - O Globo

Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano, entre 2003 e 2012, o uso de carro aumentou de 25,8% para 28,5% no Rio e agora a Região Metropolitana tem 3 horários de rush. Funcionária da prefeitura de Duque de Caxias, Vanessa Arduina, de 34 anos, mora no Catete e todos os dias perde pelo menos 90 minutos no trajeto de casa para o trabalho. Mesmo enfrentando o risco de pegar um enorme congestionamento, ela continua apostando no carro, diante da ineficiência e da falta de pontualidade do transporte público. Ainda longe dos preceitos sustentáveis, a dinâmica dos deslocamentos da Região Metropolitana do Rio continua bastante focada no transporte individual, em detrimento do coletivo. É o que mostram dados recentes do Plano Diretor de Transporte Urbano ( PDTU), apresentados ontem pela Secretaria estadual de Transportes. Em 2003, o transporte individual era utilizado por 25,8% da população diariamente. Em 2012, 28,5% passaram a fazer uso dessa alternativa. Por outro lado, 74,2% usavam o transporte coletivo em 2003, fatia que encolheu para 71,5% em 2012.

Isso significa que o número de viagens de carro, táxi e motocicleta aumentou cerca de 3 pontos percentuais no período — mesmo índice de revés nas viagens de trem, metrô, ônibus e barcas. Em números absolutos, porém, todos os modais ganharam passageiros, algo esperado em função do crescimento da cidade: as viagens em coletivos subiram em 1,8 milhão por dia, totalizando 11 milhões. Enquanto isso, as viagens em transporte individual aumentaram 1,1 milhão por dia, chegando a 4,4 milhões. Também em função disso, o tempo médio diário gasto pelos motoristas de carro subiu 32%.

TENDÊNCIA É CENÁRIO MUDAR

Na avaliação do engenheiro Willian Aquino, especialista em transportes e coordenador do estudo, a política adotada pelo governo estimulou o uso de veículos de passeio — expressa no represamento dos preços da gasolina e nas facilidades de crédito. Embora reconheça que o retrato não foi positivo, Aquino lembra que a tendência para os próximos anos pode se inverter.
— A tendência do período estudado foi de maior utilização dos automóveis. Gasolina barata, estacionamentos sem controle, facilidade para comprar carro e aumento da renda média ajudam a explicar esse crescimento da maior utilização percentual dos automóveis — avalia Aquino. — Fica o alerta, mas essa não é uma situação inexorável. É claro que a pesquisa mostra uma situação preocupante. Mas acredito que o cenário possa mudar nos próximos anos. O Rio tem investido no transporte de massa, em BRT, VLT, nos bloqueios de acesso aos veículos de passeios em algumas regiões.

TRÊS HORÁRIOS DE RUSH

Em entrevista ontem ao programa "Bom dia, Brasil", na TV Globo, a secretária estadual de Transportes, Tatiana Carius, reconheceu que ainda há muito a ser feito para melhorar o transporte de alta capacidade na Região Metropolitana. Mas destacou os avanços conquistados desde 2007.

— Mobilidade urbana é o desafio de todas as grandes cidades. Temos que levar mais qualidade, conforto e pontualidade aos usuários. Não temos a utopia de ter resolvido os problemas. Mas o governo do estado vem investindo maciçamente, desde 2007, em transporte de massa. Ninguém constrói metrô de um dia para o outro — disse Tatiana, lembrando que o número de passageiros nos trens passou de 325 mil por dia, em 2007, para 680 mil, em 2014.

Vanessa Arduina, que abre mão do deslocamento sobre trilhos diariamente, preferindo seu carro para percorrer 57 quilômetros (viagens de ida e volta somadas), atribui os principais gargalos à falta de pontualidade e à integração deficiente entre os modais.

— Não vale a pena eu pegar ônibus e trem se não terei qualquer garantia de chegar na hora. Quem mora na Zona Sul e trabalha no Centro ainda se beneficia pegando apenas o metrô. No meu caso, teria que depender da pontualidade do trem e do ônibus, o que complica demais. Demoro muito para me deslocar de carro, mas ainda é a melhor opção — argumenta.

Quem também sente na pele as dificuldades de locomoção é Liliane Martins, de 36 anos, moradora de Itaboraí.

— Trabalho na Tijuca. O trânsito está cada vez mais complicado. Desde que comecei a trabalhar no Rio, há uns 18 anos, eu vejo mais carros nas ruas, o que piora o trânsito. Sem contar com as obras. Hoje tenho que sair de casa às 5h15m para estar no serviço às 8h. Pego um ônibus e um metrô para chegar — diz a cuidadora de idosos.

O PDTU mostrou que Liliane não está sozinha em seu sacrifício diário: quem usa transporte público sai mais cedo de casa, a maioria pouco antes da 6h. Ainda segundo a pesquisa, a hora do rush também acontece atualmente ao meio- dia — horário de almoço e de saída e entrada das escolas — e não apenas mais no começo da manhã e no fim da tarde.

MENOS PASSAGEIROS DE VANS

Outra constatação do estudo é que houve significativa redução do número de passageiros do transporte alternativo de 2003 para 2012. As viagens de vans e Kombis sofreram revés de 59,65% no período, caindo de 1,6 milhão/dia para apenas 658 mil.
Os deslocamentos a pé ou de bicicleta também caíram cinco pontos percentuais — de 37% para 31,8%.

— Com a implementação do bilhete único, pessoas que faziam viagens a pé ou de bicicleta para economizar dinheiro passaram a utilizar o transporte público. Uma parcela mais significativa de moradores do subúrbio — avalia Willian Aquino.
O economista Marcos Poggi, especialista em planejamento de transportes, também acredita em uma mudança de tendência na próxima década. Ele defende a implementação de políticas que tornem o uso do carro menos atraente:

— O aumento do uso do carro é inegável, mas essa tendência deve ser revertida. Infelizmente, as autoridades brasileiras ainda consideram pouco as alternativas de desestimular o uso do transporte individual colocando imposto na gasolina, ou induzindo o condutor particular a pagar mais por esse privilégio.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Após o Bike Rio, Prefeitura quer implementar aluguel de carro elétrico

03/12/2014 - O Dia

Município mira sistema parecido como o de Paris, com estações de recarga nas ruas

GUSTAVO RIBEIRO

Rio - As já tradicionais bicicletas laranjinhas da Zona Sul podem ganhar um concorrente a partir do ano que vem. É que o Rio deve receber, até novembro, seu primeiro serviço de aluguel de automóveis elétricos, inspirado em um modelo disseminado na Europa e nos Estados Unidos. A previsão foi anunciada ontem pelo subsecretário da Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Gustavo Guerrante. Os locais das estações ainda serão definidos por um estudo técnico. 

"A intenção da prefeitura tem sido 'desincentivar' o uso do automóvel e estimular o transporte público, vide os investimentos aplicados no VLT e nos BRTs. Os carros elétricos vão ajudar a diminuir o número de veículos particulares nas ruas, já que serão compartilhados por vários usuários, reduzindo engarrafamentos. Além disso, eles não são poluentes", apontou. 


O modelo francês 'Autolib', de aluguel de carros elétricos, já funciona há três anos em Paris, com sucesso, e será a inspiração para o do Rio
Foto:  Divulgação

Segundo o subsecretário, o preço do aluguel vai se assemelhar ao que é praticado no exterior e deverá ficar abaixo do valor cobrado pelo quilômetro rodado nos táxis (R$ 1,95 na bandeira 1 e R$ 2,34 na bandeira 2). "O modelo que mais se aproxima das nossas necessidades é o 'Autolib', de Paris. As estações ficam em vagas nas ruas, e não em garagens fechadas. O veículo é carregado no momento em que o usuário o devolve nos terminais", explicou ele. 

Chamada pública divulgada nesta quarta no Diário Oficial deu prazo de 30 dias para que interessados em elaborar o estudo do projeto apresentem propostas. Depois disso, comissão da prefeitura vai autorizar a conclusão de uma das propostas. 
O estudo final deverá ser entregue em até seis meses para consulta pública, contemplando projeto básico de engenharia, localização das estações de recarga, encargos de investimentos e serviços, mecanismos de pagamento, garantias, plano de negócios referencial e minutas de documentos licitatórios. O gasto máximo para o estudo é de R$ 4 milhões. A concessionária que apresentar o maior valor de outorga leva o contrato. Todos os gastos da instalação e operação ficarão por conta da empresa.

Autonomia de três horas 

Alguns automóveis elétricos do sistema 'Autolib', de Paris, que contam com quatro assentos, já têm autonomia para circular por mais de três horas após a recarga. Quando o serviço de compartilhamento foi implementado na cidade, há três anos, o veículo rodava até duas horas.

"Quanto mais se investe na tecnologia, maior é a potência do carro. A bateria do veículo francês pode ser carregada até 80% em 15 minutos", apontou o subsecretário da Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas, Gustavo Guerrante. Recife será a primeira cidade do Brasil a testar o compartilhamento de carros elétricos, entre este mês e o próximo. A empresa chinesa Zhidou vai operar o sistema com os modelos Zd e Zdi.