segunda-feira, 29 de junho de 2015

Caminhões que se dirigem sozinhos devem ganhar ruas antes dos carros

29/06/2015 - Folha de SP

Giuliana Vallone de Nova York

Em 2002, o filme "Minority Report", estrelado por Tom Cruise, mostrava uma cidade americana 50 anos no futuro tomada por carros sem motoristas. Fora da ficção, essa tecnologia não demorou tanto assim para aparecer.

No Estado da Califórnia, carros do Google que dispensam motoristas começaram a circular na semana passada pela cidade de Mountain View, sede da companhia.

Em Nevada, dois caminhões da linha Freightliner Inspiration, da Daimler, que se dirigem sozinhos foram autorizados a trafegar pelas estradas estaduais. São acompanhados de motoristas que fiscalizam a operação e assumem o volante em casos emergenciais.

Mas, embora os testes sejam promissores, especialistas afirmam que alguns entraves devem atrasar a implementação da tecnologia no dia a dia dos consumidores.

"Primeiro veremos autonomia parcial em veículos de transporte de cargas e de passeio. Depois, talvez em dez anos, virão os veículos com autonomia total", afirma Xavier Mosquet, analista do setor automotivo da consultoria Boston Consulting Group.

A empresa estima que as vendas globais de veículos autônomos devem atingir US$ 42 bilhões em 2025, uma fatia de 13% do mercado –desses, no entanto, apenas 0,5% serão totalmente independentes de motoristas. Em 2035, a autonomia completa deve subir para 9,8%.

A tecnologia deve ganhar tração primeiro no mercado de caminhões, para só depois atrair os consumidores de carros. Segundo Mosquet, isso acontece porque o custo de implementação da tecnologia é praticamente o mesmo nas duas categorias, mas os compradores de caminhões têm mais dinheiro para INVESTIR.

TERRITÓRIO NACIONAL

No Brasil, esse tipo de tecnologia esbarra em um outro problema, segundo Ricardo Takahira, da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade): a infraestrutura precária.

"A qualidade das estradas brasileiras não é a mesma da dos Estados Unidos ou da Europa. E esses veículos ainda são muito dependentes de infraestrutura, precisam das faixas de rolamento pintadas corretamente, de sistemas de rádio frequência para estar o tempo todo conectados", diz.

No caso do carro do Google, o veículo utiliza dados de sensor e de mapas para determinar onde está e como se movimentar e também quais obstáculos há no caminho, com base no tamanho, na forma e no movimento deles.

Para Takahira, essas tecnologias também podem deixar as estradas mais seguras. "Esses veículos param, freiam e se mantêm dentro das faixas sozinhos. É um jeito de fiscalizar o motorista."

No mercado norte-americano, a estimativa do BCG é que veículos parcialmente autônomos possam aumentar em 30% a segurança para motoristas de caminhões e carros. No longo prazo, o potencial é de redução de 90% dos acidentes nas estradas.

Os veículos não estão imunes a ocorrências. O Google reportou 12 acidentes envolvendo os protótipos –a maioria, afirma a companhia, foram consequência de erros humanos causados pelos motoristas dos outros carros

terça-feira, 16 de junho de 2015

Trajeto SP - Campinas terá corredor para carro elétrico

16/06/2015 - O Estado de SP

Um corredor rodoviário para carros elétricos pioneiro no Brasil vai funcionar a partir de agosto entre Campinas e São Paulo. O projeto resulta de parceria entre a CPFL Energia e a rede Graal de postos de serviços. O primeiro eletroposto será instalado entre o fim de julho e início de agosto no Posto Graal 67, na rodovia Anhanguera, sentido interior.

Os eletropostos permitirão o carregamento rápido dos veículos, reabastecendo 80% da bateria em meia hora. Inicialmente, os equipamentos serão compatíveis com os carros elétricos fabricados com plug tipo 2, o que inclui as montadoras Renault, BYD e BMW. Até o fim do ano, a companhia avalia estender o uso a veículos com o plug tipo 1, produzidos pela Nissan e pela Mitsubishi.

A empresa de energia ficará responsável pela instalação da infraestrutura do eletroposto rápido, que inclui transformador, carregador e cabeamento. A rede Graal assumirá as despesas com o consumo de energia. Com isso, os usuários poderão reabastecer seus veículos elétricos gratuitamente, 24 horas por dia, com cadastro prévio.

O Brasil deve dobrar a venda de automóveis elétricos em 2015. No ano passado, foram vendidos 855 modelos. A frota nacional é formada por 3 mil veículos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABV), que apoia o projeto. A expectativa até 2020 é atingir de 30 mil a 40 mil veículos "verdes".

Montadoras paralisam metade das fábricas

16/06/2015 - Valor Econômico

Os ajustes de produção na indústria automobilística, que vêm se intensificando desde dezembro, atingem agora um de seus pontos mais altos. Diante do agravamento da crise, metade das fábricas de carros, caminhões e ônibus parou ou ainda vai parar entre junho e julho por períodos que vão de uma semana a quase um mês inteiro. Essas paralisações atingem 15 das 29 fábricas de veículos do país.

Entre elas, a General Motors (GM), segunda maior montadora em vendas no mercado brasileiro, não vai fabricar um carro sequer entre esta e a próxima semana. Ontem, as duas unidades do grupo até então ativas - São José dos Campos (SP) e Gravataí (RS) - entraram em férias coletivas, juntando-se assim ao parque industrial da companhia no ABC paulista, que está parado desde o início do mês.

Em São José, a produção da picape S10 e do utilitário esportivo TrailBlazer só volta no dia 1º de julho, enquanto nas demais fábricas de automóveis da GM - bem como nas de motores, em Joinville (SC), e de componentes estampados, em Mogi das Cruzes (SP) - as atividades serão retomadas dois dias antes, em 29 de junho.

Desde o início do mês, a produção de veículos já tinha sido totalmente interrompida em dez fábricas de nove montadoras: Mercedes-Benz - tanto em São Bernardo do Campo (SP) como em Juiz de Fora (MG) -, Scania, Ford, Fiat, Iveco, Caoa (fabricante de utilitários da Hyundai em Goiás), Agrale, Mitsubishi e PSA Peugeot Citroën. Desse grupo, estão no momento paradas as linhas da Peugeot Citroën - cujas férias coletivas de três semanas também começaram ontem -, da Caoa e da Agrale, assim como o setor de caminhões pesados da Iveco, que tem retorno previsto para quinta-feira.

Já na semana que vem, a Nissan vai dar início, na quarta-feira, às férias coletivas que vão parar a produção da marca em Resende (RJ) até 12 de julho. Também estão programadas férias na fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP) - entre 2 e 12 de julho - e na Scania, a partir de 29 de junho, com retorno previsto para o dia 13 de julho. Nas duas empresas, porém, o recesso foi anunciado como parada tradicional de meio de ano.

No caso da Scania, as férias serão dadas após a fabricante de caminhões suspender a produção na última sexta-feira e durante toda a semana do feriado de Corpus Christi.

Além da forte contração da demanda doméstica, as montadoras reduzem drasticamente a atividade das linhas de montagem na tentativa de normalizar os estoques de veículos parados nos pátios de fábricas e concessionárias. Mas mesmo com a produção voltando a níveis de oito anos atrás, o encalhe segue alto, com volume de veículos suficiente para 51 dias de venda, quando o ideal seria reduzir isso para um giro mais próximo de 30 dias.

Números referentes a maio indicam que o setor está operando com uma ociosidade de 41%, tendo-se em conta a capacidade instalada de 4,5 milhões de veículos por ano divulgada pela Anfavea, a entidade que abriga as montadoras instaladas no país.

O percentual, contudo, pode variar porque não há uma conta precisa sobre a capacidade instalada dessa indústria após linhas serem abertas e fechadas nos últimos meses. A própria Anfavea está refazendo seus cálculos.

Nas estimativas da Tendências, o potencial de produção passa de 5 milhões de veículos com as fábricas inauguradas desde o ano passado por grupos como Fiat Chrysler, Nissan, Chery e BMW. Assim, a consultoria calcula em mais de 50% a ociosidade da indústria automobilística em 2015, repetindo o patamar da crise de 19